UTILIZAÇÃO DA CARBOXITERAPIA NO FIBROEDEMA GELÓIDE (CELULITE)

 

 

 

A carboxiterapia constitui uma técnica onde se utiliza o gás carbônico medicinal injetado no tecido subcutâneo, estimulando assim, efeitos fisiológicos, como melhora da circulação e oxigenação tecidual.

 

O gás carbônico é um gás inodoro, incolor, e atóxico; é o produto endógeno natural do metabolismo das reações oxidativas celulares, produzido no organismo diariamente em grandes quantidades e eliminado pelos pulmões durante a respiração.

 

Em situações de repouso o nosso corpo produz cerca de 200 ml/min de CO2, aumentando em até 10 vezes frente a esforços físicos intensos.

 

O CO2 é um gás muito utilizado nas cirurgias de videolaparoscopia para a insuflação da cavidade abdominal (pneumoperitôneo), histeroscopias e como contraste em arteriografias.

 

Devido ao seu alto poder de difusão, este gás é rapidamente absorvido e eliminado, ficando apenas o efeito vasodilatador, o que reduz o risco de embolia gasosa fatal.

 

Com o desenvolvimento de um equipamento capaz de controlar o fluxo injetado por minuto, bem como o volume total injetado, isso possibilitou a aplicação da carboxiterapia e seu reconhecimento terapêutico em diversos países da Europa, principalmente Itália e França, onde é reconhecida para uso em Saúde Pública.

 

No campo da estética a carboxiterapia têm sido atualmente bastante utilizada para tratamento de gordura localizada, fibro edema gelóide (celulite), estrias e flacidez tissular.

 

O aparelho liga-se a um cilindro de aço ou alumínio por meio de um regulador de pressão de gás carbônico e é injetado por via de uma sonda com uma pequena agulha de insulina diretamente através da pele do paciente.

 

Para sua aplicação, o paciente deverá estar em posição confortável e a área a ser tratada livre de vestimentas.

 

Deve-se realizar assepsia da região com álcool a 70% ou clorexidine a 0,5%. As áreas devem ser demarcadas com caneta dermográfica com o paciente em pé.

 

O fluxo de gás a ser injetado irá depender do objetivo do tratamento e da sensibilidade do paciente, variando entre 20 e 150 ml/min. O volume total injetado varia entre 600 ml e 3000 ml, sendo mais comum (consenso entre a maioria dos profissionais) o volume máximo de 2000 ml.

 

Existem três planos de infusão do gás: mesoepidérmico ou dérmico superficial, dérmico profundo ou de descolamento, e hipodérmico ou subcutâneo. 

 

No primeiro plano (mesoepidérmico ou dérmico superficial), a agulha é posicionada a 45º e somente o bizel (voltado para cima) é introduzido na pele do paciente. Observa-se eritema intenso na região, e seu objetivo é remodelação do colágeno, sendo o plano mais indicado para estrias.

 

No segundo plano (dérmico profundo ou de descolamento), a agulha é posicionada a 25º e é totalmente introduzida na pele do paciente. Nesse caso o eritema não é tão intenso, e seu objetivo é formação de novo colágeno, sendo o indicado para flacidez tissular.

 

No terceiro plano, a agulha é totalmente introduzida na camada adiposa em uma angulação de 45º, sendo os seus objetivos lipólise e desfibrosagem profunda. A hiperemia nesse caso é bem discreta. Suas indicações são para gordura localizada e celulite.

 

Em relação aos efeitos adversos da carboxiterapia, estes incluem dor no local da aplicação, pequenos hematomas, equimoses, crepitações, aumento de temperatura e hiperemia local ,e sensação de cãibra em membros inferiores durante o procedimento, que normalmente desaparecem rapidamente.

 

Suas contra-indicações são infarto agudo do miocárdio, angina instável, insuficiência cardíaca, hipertensão arterial , epilepsia, gravidez, distúrbios psiquiátricos, paciente em situação atual de qualquer acometimento imunológico local como alergias, pruridos e urticárias, lúpus, doenças infecciosas, bacterianas, virais, fúngicas agudas e acne inflamatória no local da aplicação, biodermite local, herpes simples e zoster e neoplasia.

 

O fibroedema gelóide (FEG) é uma alteração topográfica da pele que geralmente ocorre sobre a região pélvica, membros inferiores e abdome. É definida como um distúrbio metabólico localizado no tecido subcutâneo, onde as principais mudanças histológicas são encontradas no interior da hipoderme e consistem na hipertrofia ou afrouxamento do tecido conjuntivo,separando os lóbulos de gordura.

 

É uma afecção bastante incidente na população, acometendo mais as mulheres, existindo uma prevalência entre 85% e 95% em todas as raças. Os distúrbios hormonais são os principais causadores do FEG, sendo o estrógeno o principal hormônio envolvido e é um dos responsáveis pelo agravamento de tal afecção.

 

O FEG resulta, na maioria dos casos, de um problema circulatório, uma vez que a circulação se processa lentamente. Assim, os capilares enfraquecem, propiciando o extravasamento de plasma para o exterior dos vasos sanguíneos e consequentemente levando ao aumento de líquido nos espaços intercelulares. O organismo ainda pode reagir criando uma barreira fibrosa, que encarcera as células adiposas.

 

Um estudo brasileiro analisou a eficácia da carboxiterapia na redução do fibro edema gelóide, através de uma pesquisa envolvendo 15 mulheres na faixa etária entre 25 e 35 anos.

 

Elas foram submetidas a 10 sessões do procedimento em região glútea (bilateralmente), na frequência de 2 vezes por semana, em dias alternados. Foram realizadas avaliações iniciais e finais com escala analógica visual da dor e com verificações do grau de FEG através de fotos e exame físico.

 

O fluxo administrado de gás por sessão variou entre 40 e 80 ml/min e o volume total variou entre 400 e 800 ml; o tempo da terapia foi de 30 minutos cada sessão, sendo 10 minutos para cada glúteo. Os resultados demonstraram que 40,47% das participantes obtiveram redução dos graus de FEG e 33,78% obtiveram redução no quadro álgico.

 

Concluíram que a terapia é segura, eficaz e sem grandes contra-indicações, contribuindo para melhora dos graus de FEG.

 

Os resultados desse estudo corroboram os efeitos da terapia com gás carbônico já mencionado anteriormente.

 

Em virtude de melhorar a microcirculação arterial da pele e subcutâneo, por aumentar a perfusão tecidual e a pressão parcial de oxigênio, a carboxiterapia é indicada para o tratamento do fibro edema gelóide, tratando principalmente o tecido celular subcutâneo que se encontra congestionado por retração de líquido e toxinas não eliminadas por comprometimento da microcirculação periférica.

 

Na prática clínica a grande maioria dos profissionais já utiliza essa técnica com excelentes resultados em seus pacientes, porém há ainda uma grande deficiência, sobretudo de estudos brasileiros, envolvendo a aplicação da carboxiterapia nas afecções dermatológicas estéticas, sobretudo nos casos de FEG.

 

Também se questiona sua aplicabilidade quando existe fibrose, uma vez que devido ao estímulo do colágeno proporcionado pela técnica , pode haver um possível agravamento das fibroses existentes, piorando consequentemente o quadro.

 

Esse artigo justifica a observação dos efeitos da carboxiterapia no fibro edema gelóide em decorrência do mesmo constituir uma das maiores queixas estéticas entre as mulheres, sendo muito comum na prática clínica a procura por tratamentos visando minimizar a sua aparência.

 

Vários especialistas da área têm comprovado que a carboxiterapia é um método seguro e de fácil execução. Também não existem muitas contra-indicações ou importantes reações adversas relacionados a seu uso.

 

Contudo, em decorrência da relativa escassez de estudos quanto à sua utilização principalmente na estética, torna-se necessário a realização de mais pesquisas sobre o referido assunto, a fim de se conhecer em detalhes seus reais benefícios, bem como maiores precauções em relação à sua utilização.

 

 

 

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS 

* BALDO et.al. Carboxiterapia no tratamento da lipodistrofia hipertrófica em puérperas. 2009. Disponível em: http://www.ibrape.com.br/site/artigos/carboxiterapia.pdf. 

* BORGES,F.S. Modalidades terapêuticas nas disfunções estéticas. 2.ed. São Paulo: Editora Phorte, 2010.

* CORRÊA et.al. Análise da eficácia da carboxiterapia na redução do fibroedema gelóide: estudo piloto. Revista Fisioterapia Ser 2008;3(2):00-00.

* DALSASSO, J.C. Fibroedema gelóide: um estudo comparativo dos efeitos terapêuticos utilizando ultra-som e endermologia Dermovac em mulheres não praticantes de exercício físico. 2007. 70f. Trabalho de conclusão de curso (Graduação e Fisioterapia) – Universidade do Sul de Santa Catarina, Tubarão, 2007. Disponível em: http://www.fisio-tb.unisul.br/Tccs/07a/janine/TCC_Janine.pdf. 

* PIRES,V.A; ARRIEIRO,A.N.; XAVIER,M. Fibroedema gelóide: etiopatogenia, avaliação e aspectos relevantes- uma revisão de literatura. In: ENCONTRO LATINO AMERICANO DE PÓS-GRADUAÇÃO –UNIVERSIDADE DO VALE DO PARAÍBA,XIII,2009,São José dos Campos. Anais eletrônicos… São José dos Campos: Universidade do Vale do Paraíba,2009.Disponível em: http//: http://www.inicepg.univap.br/cd/INIC_2009/anais/arquivos/RE_0950_1392_01.pdf. 

* SCORZA, Flávia; BORGES, Fábio. Carboxiterapia: uma revisão. Revista Fisioterapia Ser-ano3, Nº4-2008.
 

 

Elizete

Sobre Eliziete Abreu

Graduação em Fisioterapia pela Universidade Estadual do Piauí ( UESPI) | Especialização em Fisioterapia Aplicada á Traumatologia e Ortopedia pela Faculdade Integral Diferencial (facid) | Especialização em Fisoterapia Dermato – Funcional pelo Centro de Ensino Unificado de Teresina (CEUT) | Fisioterapeuta Efetiva do Hospital Regional de Campo Maior | Sócia do Mais Magra Espaço de Estética | Crefito 109346-F