Tratamentos para cicatrizes de acne

 

 

 

A acne é uma dermatose multifatorial muito frequente que acomete os folículos pilossebáceos com bloqueio da secreção sebácea, com ou sem inflamação.

 

A maioria dos adolescentes apresentam acne e alguns adultos também.

 

Estudos relatam que 80% dos jovens entre 11 e 25 anos são acometidos, assim como aproximadamente 8% dos adultos com idade entre 25 e 34 anos e 3% daqueles com idade entre 35 e 44 anos.

 

Em algumas pessoas, as lesões que são as famosas “espinhas” são pequenas e quase imperceptíveis, em outras, porém, elas são bem maiores, incomodando bastante o indivíduo, afetando sua auto-estima, comprometendo o convívio social e podendo levar a um sério impacto psicológico.

 

Essas lesões surgem geralmente nas partes oleosas da face, nos ombros, peito, braços e costas.

 

Dependendo do grau de acometimento e quando não tratada adequadamente,a acne pode permanecer até o final da adolescência ou até mesmo na idade adulta com consequente agravamento do quadro que posteriormente pode deixar na pele manchas e cicatrizes inestéticas.

 

Para entender como as cicatrizes de acne são formadas, precisamos primeiramente saber como essas lesões aparecem.

 

A acne é uma doença dos folículos pilossebáceos e possui várias causas que dentre elas podemos citar as principais: obstruções no orifício do folículo, sebo acumulado, contaminação por bactérias, fatores hormonais e tendência hereditária.

 

A glândula sebácea, devido a um estímulo hormonal, começa a produzir mais sebo e, ao mesmo tempo, há um aumento de células bem superficiais na pele próximo a saída do folículo que a “entope”.

 

Esse acúmulo de sebo libera substâncias que irritam o local, causando inflamação e contaminação por bactérias (propioniumbacterium acnes), fazendo aparecer os “cravos” e “espinhas”.

 

EstagioAcne1

 

A acne é classificada conforme sua evolução, tipo e forma das lesões, em inflamatória e não inflamatória e nos graus I, II, III e IV, sendo graus crescentes de gravidade.

 

De acordo com esse grau, as lesões podem evoluir formando cistos, nódulos, e até mesmo abcessos e consequentemente as tão temíveis cicatrizes, além das manchas.

 

As cicatrizes de acne ocorrem, portanto, quando o tecido cicatricial substitui a pele normal e a estrutura da pele.

 

A cicatriz é o resultado final da destruição do tecido.

 

O melhor caminho para evitar a cicatriz é a prevenção.

 

Muitas poderiam ter sido prevenidas com orientações e tratamentos adequados e realizados logo após o início da acne.

 

O fato de “espremer” suas espinhas não auxilia em nada, pois este ato levará a um processo inflamatório ou infeccioso que poderá agravar o quadro e o consequente aparecimento de mais cicatrizes.

 

As cicatrizes vão variar conforme o grau de acometimento, a gravidade, profundidade, extensão e tratamentos incorretos.

 

As formas mais graves de acne são mais propensas a deixar cicatrizes inestéticas do que graus mais leves e superficiais.

 

Elas são classificadas de acordo com sua morfologia e profundidade.

 

Essas marcas são elevadas ou deprimidas e se apresentam de diversas formas, por isso requer uma avaliação completa e específica para melhor definir qual tratamento mais indicado para cada caso.

 

Tipos de Cicatrizes de Acne:

 

As cicatrizes de acne se dividem em três grupos: as atróficas, as elevadas e as distróficas.

 

A cicatriz atrófica ou deprimida é uma das mais comuns e ocorre um afundamento e afinamento da pele (perda de tecido).

 

Elas se dividem em distensíveis e não distensíveis.

 

No grupo das distensíveis temos as ondulações ou vales e as retrações que desaparecem quando a pele é tracionada.

 

Nas retrações permanece apenas uma aderência da porção central da cicatriz.

 

As não distensíveis são como o próprio nome diz, aquelas que não desaparecem com a tração da pele.

 

Nesse grupo temos as superficiais, que são cicatrizes mais rasas e que respondem muito bem a tratamentos; as médias (box scar) com um formato oval ou redondo semelhante a cicatrizes da Varicela e as profundas (icepick), que geralmente são pequenas e porém, como são mais profundas,estreitas e rígidas, são mais difíceis de tratar.

 

Dentro do grupo das cicatrizes elevadas, temos a hipertrófica, queloideana, papulosa e em ponte, que ao contrário das atróficas, apresentam-se como um excesso de tecido cicatricial resultando numa massa de tecido com elevação da pele.

 

As hipertróficas não ultrapassam a área da lesão original; as queloideanas geralmente extrapolam as margens da lesão tendo pior prognóstico; as papulosas possuem aspecto papuloso como o próprio nome diz e as pontes são cordões de tecidos fibrosos sobre a pele.

 

O terceiro e último grupo é o das distróficas, no qual encontramos cicatrizes com limites irregulares, geralmente com formato de estrela e fundo branco e atrófico, podendo apresentar nódulos fibróticos com retenção de material sebáceo e purulento.

 

Cicatrizes

 

Podemos encontrar em uma mesma pessoa vários tipos de cicatrizes de acne.

 

Dependendo do tipo de cicatriz que o paciente apresenta é que se indica o tratamento adequado.

 

Portanto é de extrema importância uma boa avaliação e uma equipe multidisciplinar atuante para a obtenção de resultados positivos.

 

Tratamentos para Cicatrizes de Acne:

 

Como citado acima, muitos pacientes irão apresentar diferentes formas de cicatrizes, de intensidades variadas e muitas vezes com a associação destas formas.

 

Por isso, muitas vezes, é necessária a combinação de técnicas em um mesmo paciente, para possibilitar tratamento eficiente para os tipos de cicatrizes presentes.

 

Nos últimos anos tem havido avanços significativos capazes de deixar manchas e cicatrizes de acne bem menos evidente no mercado da dermatologia e estética.

 

Vale a pena investir em tratamentos eficazes que deixam a pele bem mais lisa e bonita.

 

Confira abaixo algumas técnicas disponíveis que podem ser realizadas por uma equipe multidisciplinar:

 

Tratamento cirúrgico:

 

Utilizado principalmente para cicatrizes elevadas.

 

A ressecção cirúrgica pode ser feita com técnicas como a incisão e sutura simples, ou técnicas mais sofisticadas como a zetaplastia.

 

Além da incisão cirúrgica, nas cicatrizes hipertróficas ou queloideanas podem ser utilizados também infiltração de corticóides, laser e crioterapia.

 

Outra técnica cirúrgica que também é utilizada é a “Elevação” de cicatrizes realizadas nas cicatrizes deprimidas que se parecem com marcas de catapora.

 

Sob anestesia local, utiliza-se um punch (instrumento cortante circular) que corta a pele em círculo, sem soltá-la dos tecidos mais profundos, trazendo-a até ao nível normal onde é fixada com um curativo.

 

Existe também o “Shaving”, técnica cirurgica que retira as cicatrizes e logo em seguida é aplicado um medicamento para evitar a recidiva.

 

Subcisão:

 

É realizada nas cicatrizes deprimidas, profundas, principalmente naquelas que não desaparecem quando a pele é esticada.

 

Nestas, o preenchimento não resolve porque fibras de colágeno repuxam a pele para baixo e precisam ser cortadas.

 

A subcisão é feita utilizando anestesia local e uma agulha que corta esse tecido fibroso soltando a pele.

 

Podem ser necessárias várias sessões.

 

Preenchimento cutâneo:

 

Funciona muito bem em cicatrizes deprimidas que desaparecem ao se esticar a pele.

 

São injetadas substâncias debaixo da cicatriz, que aumenta o volume do local aproximando o plano da pele ao redor.

 

Os preenchedores podem ser temporários, bastante usados como o ácido hialurônico (que dura cerca de 1 ano), ou definitivos (metacrilato).

 

Peeling químico:

 

Técnica usada para clarear manchas e melhorar as cicatrizes.

 

Neste tratamento, é usado uma solução química sobre a pele.

 

Pode ser superficial, médio ou profundo.

 

Os superficiais clareiam as manchas, enquanto os médios e profundos auxiliam no tratamento das cicatrizes, uniformizando mais a pele, e melhorando sua textura.

 

Dermoabrasão e microdermoabrasão:

 

É um excelente método para corrigir os desníveis causados pelas cicatrizes.

 

É indicado quando há presença de cicatrizes deprimidas e profundas.

 

Geralmente é doloroso e feito sob anestesia.

 

Na dermoabrasão, uma “lixa” remove partes superficiais da pele e até mesmo profundas, com objetivo de igualar a superfície da mesma.

 

Com o tempo, surge uma pele nova bem mais lisa, que apresenta superfície bem mais regular e com muito menos cicatrizes.

 

Na microdermoabrasão, (Peeling de Cristal e Diamante), essa remoção é mais superficial, menos agressiva e necessita de mais sessões.

 

A aparência logo após o tratamento vai depender da profundidade da agressão.

 

Tratamento à Laser:

 

O tratamento é semelhante à dermoabrasão só que, ao invés das lixas, a retirada do tecido é feita pelo laser.

 

A aplicação do laser pode reduzir o tamanho da cicatriz e amenizar ou acabar com as manchas.

 

Alguns lasers são bastante eficazes, porém bastante agressivos que geram uma aparência bem desagradável logo depois do tratamento, fazendo o paciente se afastar das atividades por algumas semanas.

 

Diante disto, surgiram os lasers fracionados que produzem milhares de pontos tratados em meio à pele não atingida, ao passo que o convencional atinge uma área bem maior, provocando consequentemente maior lesão, maior desconforto e maior tempo de recuperação.

 

Dentre os lasers fracionados mais utilizados no momento, existem o CO2 Fracionado e o Érbium Fracionado: ambos com excelentes resultados, que conseguem estimular colágeno e reduzir cicatrizes, deixando a pele com um aspecto bem melhor.

 

Existem também aparelhos de luz intensa pulsada (LIP) que se parecem com o laser, porém possui algumas diferenças no tipo de luz podendo suavizar manchas e trazer também benefícios para as cicatrizes mais superficiais.

 

Microagulhamento:

 

Combate as cicatrizes de acne com um instrumento composto por várias microagulhas também conhecido por “Dermaroller que perfuram a pele na profundidade escolhida pelo profissional, fazendo microlesões nas cicatrizes estimulando a renovação do colágeno.

 

Carboxiterapia:

 

Também chamada de “infusão controlada de CO2 medicinal” consiste em uma técnica usada também para cicatrizes de acne no intuito de injetar o gás carbônico com fluxo controlado nas cicatrizes atróficas, provocando microlesões e descolamento do tecido que levam posteriormente aumento de colágeno e consequente melhora no aspecto da pele.

 

As cicatrizes de acne são um grande incômodo para quem as tem e um grande desafio para o profissional de estética tratá-las.

 

O tratamento muitas vezes exige paciência, disciplina e nem sempre se obtém a pele tão sonhada.

 

Hoje em dia o mercado oferece vários recursos encorajadores que podem ser associados ou não, porém não se deve procurar pelo “melhor” tratamento, e sim o tratamento ideal para suas cicatrizes, visto que existem vários tipos de cicatrizes de acne.

 

 

 

 

 

Referências

Kede, j. Dermatologia Estética. Ed Atheneu, 2009.

KEDE, Villarejo & SABTOVICH, Maria Paulina. Dermatologia Estética. São Paulo: Ateneu, 2004.

MAIO, Maurício de. Tratado de Medicina Estética. São Paulo: Editora Roca, 2004. Volume I, II, III.

STEINER, Denise. Manejo cirúrgico das cicatrizes de Acne.http://www.denisesteiner.com.br/derma_geral/manejo_cirurgico_das_cicatrizesde_acne.htm

NEGRÂO, Mariana. Tipos de cicatrizes de acne. http://www.negocioestetica.com.br/tag/professora-mariana-negrao/

 

 

 

 

Anna Claudia Lipiani

Sobre Anna Cláudia Lipiani

Graduada em fisioterapia pela Pontifícia Universidade Católica de Minas Gerais | Pós-graduada em Fisioterapia Dermato-Funcional pela Universidade Gama Filho_RJ e em Uroginecologia e Obstetrícia pela Faculdade de Ciências Médicas de Minas Gerais-FCMMG.