TRATAMENTO PARA ESTRIAS COM GALVANOPUNTURA

 

 

 

As estrias são motivos de preocupação estética para homens e mulheres. Também são chamadas de atrofias cutâneas lineares, é realmente um verdadeiro mal, atingindo até mesmo a autoestima e o equilíbrio emocional.

 

O fato que não se deve contestar é a grande incidência dessa afecção em ambos os sexos, especialmente nas mulheres. É uma lesão resultante do estiramento das fibras de colágeno e elastina, parece uma espécie de depressão com reação inflamatória seguida de um aspecto antiestético.

 

O tratamento para as estrias sempre foi muito questionado. No entanto, o conceito de tratamento vem mudando, pois trabalhos têm demonstrado resultados significativos com diversos tipos de modalidades terapêuticas como a corrente galvânica.

 

O uso da corrente galvânica no combate das estrias tem por objetivo provocar um processo inflamatório agudo no tecido acometido pela estria, para que haja uma regeneração do mesmo. O trauma aumenta a atividade metabólica local, que leva a formação de tecido colágeno, preenchendo a área degenerada, com retorno de sensibilidade fina.

 

A inflamação provocada pela corrente não tem nenhum efeito sistêmico, podendo ser absorvido em um período de tempo de até uma semana.

 

A galvanopuntura é uma técnica onde é utilizado um equipamento de corrente contínua (galvânica em miliamperes) e microcorrente contínua (galvânica em microampéres), com a finalidade de fazer ionização e prestar apoio no tratamento de estrias.

 

Consiste em um eletrodo ativo do tipo caneta com uma agulha especial em sua extremidade, sendo ideal para promover o processo inflamatório das estrias e de um eletrodo passivo ou dispersivo do tipo placa, sendo umedecido com água e colocado no paciente com o intuito de completar o circuito a fim de reduzir o aspecto da pele estriada.

 

COMO OCORRE O APARECIMENTO DAS ESTRIAS?

 

A pele é formada por três camadas distintas, sendo a epiderme a mais superficial, a derme a intermediária e a hipoderme a mais profunda. A epiderme caracteriza-se por ser impermeável avascular e apresenta uma camada queratinizada, chamada de camada córnea.

 

A derme é composta por tecido conjuntivo e inúmeras estruturas fibrosas, filamentosas e amorfas juntamente com os fibroblastos, histiócitos, células dendríticas, mastócitos, linfócitos, plasmócitos e demais elementos celulares.

 

Histologicamente, a estria mostra uma epiderme fina, aplainada, derme com redução da espessura e perda do contorno papilar, desgaste e separação das bandas de colágeno, as quais aparecem horizontalizadas e com aspecto turvo, dilatação dos vasos sanguíneos, separação ou total ausência de fibras elásticas e ausência de plexo subepidermal.

 

A estria é encontrada tanto em homens quanto em mulheres, acometendo 2,5 vezes mais as mulheres. Existem vários fatores que podem causar seu aparecimento, como: crescimento rápido na adolescência, engordar e emagrecer muito, gravidez sem controle de peso ou alterações hormonais como atividade adrenocortical excessiva, fatores genéticos e deficiência hereditária do tecido conjuntivo.

 

Segundo Guirro e Guirro (2006), existem três teorias que tentam justificar a etiologia das estrias: teoria mecânica, teoria endocrinológica e teoria infecciosa.

 

Teoria mecânica: Essa teoria relata que o aparecimento de uma estria está necessariamente relacionado a um estiramento mecânico da pele, lesionando assim as fibras elásticas e colágenas do tecido.

 

Suas causas baseadas nessa teoria seriam um crescimento muito rápido durante a adolescência, uma grande deposição de gordura, uma hipertrofia muscular muito rápida ou uma distensão abdominal considerável, como nos casos de uma gestação.

 

Teoria endocrinológica: É a teoria mais bem aceita atualmente. Adeptos dessa teoria acreditam que o aparecimento das estrias não está relacionado a uma patologia, e sim ao tipo de medicamento administrado a esse paciente.

 

Conforme alguns autores, o hormônio esteróide está presente em todas as formas de aparecimento das estrias, como na obesidade, na adolescência e na gravidez, onde o hormônio vai atuar especificamente sobre o fibroblasto.

 

Teoria infecciosa: Alguns medicamentos levam à hiperpigmentação das estrias, como é o caso da bleomicina, o antibiótico e antitumor, que em doses altas podem causar ainda esclerose, gangrena, preaguiamento e eritema.

 

A pigmentação inicial é parecida com a que ocorre na Síndrome de Cushing, ou seja, violácea. Essa coloração pode evoluir para marrom escura. Essa teoria afirma que a febre tifoide, o tifo, a febre reumática, a hanseníase, entre outras infecções, levam ao aparecimento de estrias, pois os processos infecciosos causam danos às fibras elásticas.

 

Os estágios de evolução da estria podem ser interpretados através de sua coloração. Inicialmente, as estrias são eritematosas devido à vasodilatação associada ao processo inflamatório na derme. Por apresentarem coloração rósea, são denominadas rubras. Posteriormente elas vão se tornando hipopigmentadas e fibróticas, recebendo o nome de estrias albas.

 

As regiões mais acometidas são o abdômen, quadril, glúteo, a região lombo sacra e as mamas. Quanto à localização das estrias, podem ocorrer também em regiões pouco comuns como fossa poplítea, tórax, região ilíaca, antebraço e porção anterior do cotovelo.

 

Na galvanopuntura é utilizada a técnica de punturação através do eletrodo do tipo caneta, são feitas micropunturassubdérmicas, diagonalmente, agindo superficialmente sobre toda a extensão da estria. É um método invasivo, porém superficial, porque as estimulações são realizadas na camada dérmica da pele.

 

A corrente galvânica, quando aplicada no tecido, causa uma sensação de cócega ou comichão; e com o aumento da intensidade, a sensação passa para um leve formigamento, que recrudesce à medida que a intensidade é elevada, acarretando uma sensação de agulhada, ardência e dor.

 

Diversas precauções e contra-indicações devem ser consideradas em relação a este tipo de tratamento, como: útero-gravídico, o tratamento neste caso somente deverá ser iniciado após a regressão dos níveis hormonais aos níveis anteriores à gravidez; evitar tratamento durante a puberdade, por se tratar de um período de grandes alterações hormonais, que acreditam alguns autores, ser a causa do aparecimento; pacientes portadores de diabetes, hemofilia, síndrome de Cushing, síndrome de Marfan, propensão a cicatriz hipertrófica e quelóides; e, pacientes em uso de corticóides, esteróides e antiinflamatórios, condições em que pode haver modificação da qualidade da resposta inflamatória, exercendo assim influência sobre a terapia.

 

As sessões são realizadas semanalmente uma vez por semana, o fisioterapeuta realizará uma avaliação indicando assim o numero de sessões.

 

O tratamento para as estrias sempre foi muito questionado. No entanto, o conceito de tratamento vem mudando, pois trabalhos têm demonstrado resultados significativos com diversos tipos de modalidades terapêuticas como a corrente galvânica.

 

 

 

 

Referências:

 

BITENCOURT, S. Tratamento de estrias albas com galvanopuntura: beneficio para a estética, estresse oxidativo e perfil lipídico. Mestrado em Biologia Celular e Molecular – PPGBCM, Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul. Porto Alegre. Junho/2007.

 

GALDINO, A. P. G.; DIAS, K. M. Análise comparativa do efeito da corrente microgalvânica: estudo de caso no tratamento de estrias atróficas. Artigo publicado na Revista Eletrônica “Saúde CESUC” – Nº 01;2010.

 

GUIRRO, E.; GUIRRO, R. Fisioterapia Dermato-Funcional.3.ed. São Paulo: Manole: 2006.

MOHAMED, L. E.; LESLIE, S. B.; LOTFY, T. E. StriaeDistensae (Stretch Marks) and Different Modalities of Therapy: An Update.WileyPeriodicals: American Society for DermatologicSurgery. Estados Unidos: 2009, v. 35, p.563-73.

 

OLIVEIRA, K. S.; BORGES, T. R. Efeitos comparativos entre a aplicação de eletroterapia e medicação no tratamento de estrias. Trabalho de Conclusão de Curso apresentado no curso de Fisioterapia da Universidade do Sul de Santa Catarina:2009.

REBONATO, T. A.; MARTIGNAGO, C. C. S.; REMLINGER, M.; FORNAZARI, L, P.; DEON, K. C. Utilização da microcorrente galvânica em estrias atróficas crônicas – relato de caso.Anais do XVIII EAIC – 30 de setembro a 2 de outubro de 2009.

TSUJI, T.; SAWABE, M. Elastic fibers in striaedistensae.J. Cutan. Pathol 1988; 15:215 -222.

 

WHITE, P. A. S.; GOMES, R. C.; MENDONÇA, A. C.; BRAGANHOLO, L. P.; FERREIRA, A. S. Efeitos da galvanopuntura no tratamento das estrias atróficas. Curso de especialização em fisioterapia dermatofuncional da Universidade de Ribeirão Preto, Ribeirão Preto: 2008.

 

 

 

 

Miriam Paim

Sobre Miriam Paim

Fisioterapeuta Formada pela ULBRA- Campus Cachoeira do Sul | Especialização em Fisioterapia Dermato Funcional pelo Instituto Vida de Porto Alegre.