Toxina Botulínica na Prevenção das Marcas de Expressão

 

 

A toxina botulínica é um tratamento farmacológico local para a hiperatividade muscular, potencialmente corrigindo desequilíbrios entre músculos agonistas hipoativos e antagonistas relativamente hiperativos.

 

É obtida pela cultura da bactéria anaeróbica Clostridium botulinum, bloqueia a liberação de acetilcolina nas junções neuromusculares, causa paralisia muscular flácida reversível, aparentemente sem dano a longo prazo para o músculo ou o nervo.

 

A absorção sistêmica é mínima, não causando efeitos colaterais sistêmicos.

 

A primeira marca que chegou ao Brasil foi o Botox®.

 

Já não é segredo para a maioria das pessoas que a toxina botulínica é uma grande aliada no combate às rugas, porém, o que pouca gente sabe é que seu efeito pode prevenir os sinais da idade.

 

Sim, se for aplicado quando as marcas do tempo ainda estão suaves, a toxina botulínica adia o aparecimento das rugas e evita que elas se tornem profundas ou, melhor, adia intensamente essa evolução inevitável.

 

Ela age fazendo com que os músculos que se movem excessivamente durante as expressões, e que com o tempo vão marcando mais e mais a pele, deixem de fazer estes movimentos. Por isso previne o envelhecimento precoce.

 

Parece contraditório tratar rugas leves com um procedimento invasivo, mas não é, e tal ação é muito válida porque, caso o paciente deixe esse momento passar, os sinais se transformam em rugas estáticas, aquelas que aparecem mesmo em repouso. E essas já são bem mais difíceis de tratar.

 

As rugas dinâmicas (“de expressão”) são aquelas que surgem com a contração muscular. Quando as tratamos com a toxina botulínica, evitamos que elas se tornem rugas definitivas, marcadas na pele, chamadas de rugas estáticas.

 

É uma arma muito útil em pacientes jovens que já querem prevenir o surgimento de rugas na face, especialmente na testa, entre as sobrancelhas e ao redor dos olhos (“pés de galinha”).

 

Em pacientes mais maduras, é possível tratar as rugas dinâmicas, suavizar as rugas de repouso e evitar que elas se tornem cada vez mais profundas, sempre deixando um aspecto bem natural.

 

A hora certa depende do bom senso. É impossível especificar qual é a idade ideal para começar um tratamento com toxina botulínica com o objetivo de prevenir rugas profundas.

 

Mas pode-se falar que o período em que as marcas surgem é, de um modo geral, entre 25 e 30 anos, porém é preciso passar por uma avaliação criteriosa por um profissional habilitado para saber em que fase é válido iniciar o tratamento.

 

Na maioria das vezes, o momento certo é aquele em que começam a surgir os sinais dos vícios de expressão ou quando algumas rugas, mesmo leves, passam a ficar evidentes.

 

Pacientes com pele seca tendem a ter marcas de expressão mais cedo, mesmo usando um bom hidratante as rugas continuam a aparecer, a toxina pode ser indicada para evitar que piore.

 

Já as peles oleosas tendem a ter rugas mais tardiamente.

 

Mas é bom deixar claro que para prevenir rugas ninguém precisa cometer sandices como levar adolescentes para aplicar toxina botulínica, pelo contrário, mesmo porque, quem vai decidir se existe ou não indicação para um “tratamento preventivo” é o profissional.

 

E vale ressaltar também que não adianta nada castigar a pele com muito sol, deixar de fazer uma higiene correta e não utilizar os cosméticos adequados pensando que depois o Botox vai compensar tudo. Cada coisa no seu tempo.

 

A questão da resistência

 

A aplicação da toxina botulínica quando se é muito jovem, a partir dos 20 anos, ainda não é consenso entre os profissionais.

 

Uma ala acredita que, com o tempo, o efeito fica comprometido, justificando que o uso prolongado pode criar resistência do organismo, que passa a exigir doses maiores do produto para responder ao tratamento.

 

Outros profissionais defendem a teoria de que começar cedo não vai prejudicar o efeito da substância no futuro, quando o tratamento for, de fato, necessário, relatando que não existe nenhuma correlação, pois nos consultórios recebem pacientes que aplicam a toxina botulínica há 20 anos e tem a mesma resposta positiva ao passo que outros pacientes na segunda aplicação já começam a ter uma resposta inferior ao tratamento.

 

Breve Histórico da Toxina Botulínica pelo Mundo

 

Em 1978, Scott conduziu os primeiros estudos clínicos pilotos nos Estados Unidos com a aprovação do “Food and Drug Administration” (FDA), publicando resultados preliminares no tratamento de estrabismo com toxina botulínica em 1980.

 

Em seguida, investigou os efeitos da toxina botulínica em casos de nistagmo, espasmos hemifaciais, torcicolo espasmódico e espasticidades de membros inferiores.

 

Desde então, a toxina botulínica tipo A passou a ser opção de tratamento para blefaroespasmo e várias patologias neuromusculares.

 

O primeiro relato de uso da toxina botulínica do tipo A com finalidade estética, que envolve a aplicação em músculos sem alteração funcional, foi publicado pelo casal Carruthers em 1990.

 

Foi descoberto como uma casualidade, observando-se a melhora do aspecto de rugas glabelares após o tratamento de uma paciente com blefaroespasmo.

 

Ao enfraquecer a contração muscular hiperativa, a toxina botulínica provoca aplanamento da pele da face com melhora da aparência estética.

 

Em dezembro de 1989, a toxina botulínica do tipo A foi aprovada pelo FDA para o tratamento de estrabismo e blefaroespasmo associado a distonias, incluindo blefaroespasmo essencial e em distúrbios do nervo facial, para pacientes acima de 12 anos de idade.

 

O tratamento de rugas glabelares hipercinéticas com finalidade estética foi autorizado nos Estados Unidos em 2002, e o tratamento de hiperidrose axilar, em julho de 2004.

 

No Brasil, a bula aprovada pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (ANVISA) registra como indicações “o tratamento do estrabismo e blefaroespasmo associado com distonia, incluindo blefaroespasmo essencial benigno ou distúrbios do 7º nervo em pacientes com idade acima de 12 anos.”

 

É também indicado para o tratamento de distonia cervical, espasmo hemifacial, espasticidade muscular, linhas faciais hipercinéticas e hiperidrose focal palmar e axilar.

 

Como age a toxina botulínica?

 

A toxina botulínica atua na placa das terminações nervosas, paralisando-as.

 

As toxinas têm diferentes sítios de ação no receptor, que impedem que seja liberada a acetilcolina.

 

Após um período de 3 a 4 meses de paralização, ocorre nova reação de parte das terminações nervosas, que voltam a funcionar novamente.

 

Quais as indicações da Toxina Botulínica?

 

As rugas ou vincos são produzidos pela contração frequente dos músculos subjacentes.

 

Com o envelhecimento, os sulcos ou as rugas surgem perpendicularmente às fibras musculares responsáveis.

 

A paralisia química criada pela toxina botulínica elimina a contração muscular e assim reduz as rugas e depressões dinâmicas.

 

Onde se aplica?

 

Entre as sobrancelhas: Em geral, 5-7 pontos são injetados na região entre as sobrancelhas.

 

A complicação mais frequente é a queda da pálpebra. Mas ela ocorre em apenas 5% dos casos.

 

Uma elevação “química” da sobrancelha pode ocorrer, o que “eleva” o olhar, dando um aspecto ainda mais jovem.

 

Na testa: O músculo frontal é responsável pelas rugas da testa, em geral, 4-8 pontos são injetados na fronte, cerca de 2-3 cm acima das órbitas.

 

O paciente pode ter queda da sobrancelha se o músculo frontal for injetado em excesso. Além disso, a injeção lateral da testa, se não for feita corretamente, pode levar à queda da sobrancelha, e produzir um aspecto de cansaço.

 

“Pés-de-galinha”: São causados pela contração dos músculos dos olhos. Este músculo é injetado em 1-4 pontos. Deve-se evitar injetar muito profundamente para prevenir paralisia dos músculos dos olhos.

 

Na boca: As rugas verticais dos lábios são causadas pela contração do músculo orbicular da boca.  Apenas 2-3 rugas devem ser tratadas de cada vez.

 

Nas linhas de marionete: As rugas do franzimento dos cantos da boca melhoram com a injeção nos músculos depressores dos ângulos.

 

A aplicação excessiva pode causar dificuldade para rir. A injeção nessas áreas não é recomendada especificamente para cantores e músicos.

 

Nas rugas no queixo: A contração excessiva do músculo do queixo pode ocasionar um queixo arredondado que melhora com a aplicação da toxina.

 

No bigode chinês: A toxina nesta região tem conseguido resultados consistentes.

 

Quais são os principais efeitos colaterais que podem ocorrer?

 

Não existem relatos de reações alérgicas aos procedimentos estéticos.

 

Os hematomas transitórios podem ser atenuados com a utilização de uma agulha bem fininha e apertando bem no local, depois das injeções. As áreas com infecção em atividade não devem ser injetadas.

 

Existem contra-indicações para o uso da toxina botulínica ?

 

São contra-indicações absolutas ao uso da toxina botulínica:

 

  • Doenças do nervo periférico motor ou disfunções neuromusculares como miastenia gravis;
  • Esclerose lateral amiotrófica e síndrome de Lambert-Eaton;
  • Infecção local;
  • Gravidez;
  • Lactação;
  • Hipersensibilidade conhecida a ingredientes da formulação, como a albumina.

 

As contra-indicações relativas incluem:

 

  • Distúrbios de coagulação;
  • Uso de anticoagulantes;
  • Paciente não-colaborativo;
  • Estado mental instável;
  • Expectativas não-realistas;
  • Uso de certas medicações, tais como aminoglicosídeos, penicilamina ou bloqueadores de canais de cálcio, que podem potencializar os efeitos da droga.

 

Importante é procurar um profissional habilitado, de sua confiança ou que já tenha atendido pessoas do seu convívio.

 

Lembre-se: Seu bem estar não tem preço e deve estar sempre em primeiro lugar.

 

Muita saúde e alegrias a todos.

Até breve.

 

Andressa Novaes.

 

Andressa Novaes

Sobre Andressa Novaes

Fisioterapeuta Graduada pela FAJ, 2008 | MBA em Fisioterapia Dermato Funcional, Cosmetologia, Estética, 2013, CEFAI | Especialista em Acupuntura Auricular (2005), Pilates Clássico e Contemporâneo (2009) e Neopilates (2015) | Gestora da Corpore Center Brasil.