Pele Negra: Um mundo de possibilidades

 

 

 

Vou inaugurar minha participação falando sobre algo que eu amo: pele negra.  Farei uma sequência de textos sobre o tema e dessa forma você poderá compreender um pouco mais sobre essa pele e como tratá-la e a infinidade de possibilidades que temos nesse mundo tão pouco explorado.

 

Você sabia que nos Estados Unidos qualquer pessoa que seja descendente de negros se considera negro, mesmo que o tom da pele seja claro?

 

No Brasil isso não acontece, nós caracterizamos o negro pelo tom da pele e não por sua ancestralidade. Nem vou entrar na questão do preconceito porque eu teria que escrever um texto somente sobre isso…

 

Mas porque estou trazendo essa informação? Porque se pararmos para pensar, deveríamos levar isso muito a sério. Será que essa porção genética tem algum peso? Será que devo levar isso em consideração ao propor um tratamento, um peeling, uma luz pulsada por exemplo?

 

No Brasil, pelo IBGE, são considerados negros os negros propriamente ditos, os pardos e a miscigenação de brancos e negros, segundo últimos dados esse número seria em torno de 55% da população brasileira.

 

Um número muito expressivo, não acham?

 

Quantos profissionais estão realmente preparados para tratar essa porção da população?

 

Temos então dois pontos importantes que deixo para sua reflexão.

 

Vou citar agora algumas características específicas da pele negra e que são fundamentais para que o profissional tenha em mente antes de propor qualquer tratamento:

 

1. A quantidade de melanina. Apesar de possuírem o mesmo número de melanócitos que os brancos, os negros possuem mais melanina.

Isso se deve a variações no número, tamanho e agregação de melanossomas nos melanócitos e nos queratinócitos.

A Pele negra tem melanossomas grandes, não-agregados, com número aumentado na camada basal e distribuídos por todas as camadas da epiderme.

Isso traz consequências, especialmente quando falarmos de hiperpigmentações.

 

2. O extrato córneo na pele negra contém mais camadas de células do que na pele branca, porém a espessura é igual, mostrando que é mais compacto na negra, com maior coesão entre as células.

Isso gera uma tendência maior a hiperqueratose.

 

3. Estudos demonstram que a pele negra apresenta menor permeabilidade a certos compostos químicos do que a pele branca.

 

4. O extrato córneo da pele negra possui menos lipídeos, cujos níveis se correlacionam inversamente com a perda transepidermal de água, maior em negros do que em brancos, e diretamente com o conteúdo de água, menor em negros.

O pH na superfície da pele e a microflora parecem estar diminuídos na pele negra.

 

5. Não há diferenças na derme, porém os fibroblastos dos negros são mais ativos que os dos brancos, podem ser bi ou multinucleados, podendo ser predisponentes ao quelóide.

 Os feixes de fibras são orientados paralelamente a epiderme

 

6. As glândulas sudoríparas apócrinas são maiores, mais numerosas e produzem maior quantidade de secreção na pele negra.

 

7. Em relação às glândulas sebáceas, não há diferença no número, mas elas são maiores e produzem maior quantidade de sebo.

 

8. A densidade de cabelos e o número total de folículos terminais nos indivíduos negros são menores, porém a hiperqueratinização leva a uma tendência a foliculites.

 

Essas são apenas algumas características dessa pele e que devem ser sempre relacionadas com as alterações estéticas advindas dessas características básicas.

 

Acne, hipercromias, pseudoacantose nigricante, queloides, dermatose papulosa negra, alopecia por tração, queratose nigra, são alguns exemplos e que abordarei nos próximos textos.

 

Por todos esses motivos é que não podemos tratar essa pele da mesma forma que tratamos as demais, nem as recomendações home care devem ser as mesmas!

 

Aguardem mais novidades!

 

Abraços, Mariana Negrão

 

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Mariana

Sobre Mariana Negrao

Fisioterapeuta com 13 anos de experiência | Certificada Internacionalmente em Microneedling Therapy (Primeira Brasileira a ter o certificado) | Cursando Formação Internacional em Tricologia pelo IAT (IntenationalAssociation of Trichologist | Mestre pela disciplina de cirurgia plástica do programa de pós-graduação em Cirurgia Translacional da UNIFESP | Aprimorada em Pesquisa científica em cirurgia pela UNIFESP) módulos I, II e III | Pós Graduada em Docência para o ensino Superior pelo Centro Universitário SENAC | Pós graduada em Fisioterapia Dermato-Funcional pelo CBES | Pós graduada em Fisioterapia neuro-músculo-esquelética pela Santa Casa de São Paulo | Pós graduada em Saúde da mulher no Climatério pela USP | Docente dos cursos de Graduação em Estética e da Graduação em Visagismo e terapia Capilar da Universidade Anhembi Morumbi | Docente da Pré e Pós procedimentos médicos da Universidade Anhembi Morumbi e da Pós em Tricologia da Universidade Anhembi Morumbi | Docente das pós graduações do CEAFI (GO), ISEPE (RS), Bio Cursos (AM), FOCO (MT), Estácio (SP) | Autora dos livros Microagulhamento: bases fisiológicas e práticas da editora CR8 design. 2015 e As 50 melhores pérolas da estética e as teorias científicas que as derrubam | Autora do blog Pérolas da Estética | Colunista do Negócio Estética, Carreira Beauty, portal FlavyoHamos e Mundo Estética | Ampla experiência em atendimento clínico e como docente desde 2003 | Speaker da empresa VR Medical sobre microagulhamento e consultoria técnica desde 2013 | Docente de cursos de microagulhamento e palestrante em todo país através da sua empresa de cursos: Mariana Negrão cursos e treinamentos.