Papel da Leptina e Grelina no Controle do Peso Corporal

 

 

A Organização Mundial da Saúde aponta a obesidade como um dos maiores problemas de saúde pública do mundo. A projeção é que, em 2025, cerca de 2,3 bilhões de adultos estejam com sobrepeso; e mais de 700 milhões, obesos.

 

No Brasil, a obesidade vem crescendo cada vez mais. Alguns levantamentos apontam que mais de 50% da população está acima do peso, ou seja, na faixa de sobrepeso e obesidade.

 

Procurando entender por que, em tão pouco tempo, a obesidade se tornou um problema de tão grande envergadura, os pesquisadores estão procurando respostas nas mais diferentes direções, com achados muitas vezes conflitantes, indo desde a biologia molecular até estudos epidemiológicos, de estudos psicológicos e sociais a clínicos, até a tentativa de o problema dentro da teoria da evolução.

 

Como se tentassem montar um jogo de quebra-cabeça, sem ter a mínima idéia de como essa figura ficará uma vez encaixadas todas as peças, autores argumentam e investigam a influência genética, outros buscam hormônios e substâncias reguladoras do metabolismo lipídico e da saciedade (leptina, adiponectina, grelina, pYY), mutações genéticas, e outros investigam atividade física, tipos de alimentos e interações entre eles, influência do peso ao nascer e assim por diante.

 

Como visto acima, a etiologia (causa) da obesidade não é de fácil identificação, uma vez que a mesma é caracterizada como uma doença multifatorial, ou seja, diversos fatores estão envolvidos na sua gênese.

 

Nessa matéria vamos focar em dois hormônios que estão diretamente ligados ao controle do peso: a Leptina e a Grelina.

 

LEPTINA

 

O nome leptina vem do grego leptos, magro.

 

Faz mais de 40 anos que Kennedy propôs a existência de um mecanismo de regulação de gordura corporal por meio de um sinal produzido pelos adipócitos. E, 1978 nos estudos de Coleman e, quase dez anos mais tarde, de Hervey, detectou-se a presença de um fator circulante que regulava a magnitude dos depósitos corporais de gordura e o balanço energético. Em dezembro de 1994 uma equipe de Freedman clonou o gene ob no rato e identificou o seu produto protéico: o hormônio leptina.

 

Esta descoberta constituiu um dos mais importantes avanços na investigação da fisiopatologia da obesidade.

 

No ser humano o gene da leptina localiza-se no cromossomo 7q31. A leptina tem 167 aminoácidos e peso molecular de 16 kd. É produzida no tecido adiposo branco e, em menor proporção, pelo tecido adiposo marrom, pelos folículos de Graaf e placenta.

 

A leptina circula no plasma de forma livre ou ligada a proteínas, e são significativamente maiores em pessoas obesas que nas pessoas magras, sendo 2-3 vezes maiores nas mulheres.

 

A ação da leptina no sistema nervoso central (hipotálamo) promove a redução de ingestão de alimentos e o aumento do gasto energético, além de regular a função neuroendócrina e incrementar o metabolismo de glicose e de gorduras.

 

Em seres humanos obesos, quanto maior a quantidade de tecido adiposo, maiores os níveis de leptina circulantes. Esse achado é paradoxal, já que níveis elevados de leptina deveriam diminuir o apetite e aumentar o gasto energético. Assim, de forma similar ao que ocorre com indivíduos com diabetes mellitus, em que os níveis de insulina estão aumentados, é provável a ocorrência de um aumento da resistência periférica à leptina (hiperleptinemia) em seres humanos com obesidade.

 

Um mecanismo plausível envolve um possível defeito no transporte de leptina através da barreira hematoencefálica. A menor expressão de receptores de leptina em indivíduos com obesidade associada à ingestão de dietas ricas em gorduras também podem ser uma explicação, enquanto um possível papel facilitado e da obesidade, exercido pelos corticosteroides continua especulativo.

 

GRELINA

 

Vem do grego ghre que significa crescimento. É um hormônio relativamente novo que foi descoberto em 1999 por um grupo de pesquisadores japoneses.

 

É um peptídeo composto por 28 aminoácidos que apresentam duas isoformas: a acilada e a não acilada. Produzida e secretada principalmente pelas células do estômago, atua no sistema nervoso central sinalizando a necessidade de ingerir alimentos.

 

Além das células do estômago, uma proporção menor é sintetizada no hipotálamo, duodeno, coração, rins e no pulmão.

 

A grelina tem sua principal função baseada na sinalização da fome no cérebro, em que se liga ao GHS-R, o que promove aumento na ingestão alimentar e diminuição do gasto energético.

 

Análises imuno-histoquímicas demonstram que os neurônios que compõem o núcleo arqueado (ARC) do hipotálamo tem quantidades significativas de grelina, sendo esta uma região amplamente envolvida na regulação do apetite.

 

O aumento inicial dos níveis de grelina é observado em humanos que iniciaram as refeições em qualquer horário e sem disposição para comer, o que mostra uma resposta de hormônio a ingestão alimentar.

 

Está escrito na literatura, que os níveis de grelina no plasma aumentam imediatamente antes de cada refeição e diminuem em níveis basais uma hora após a ingestão. De fato, os níveis de grelina e de fome se mostram positivamente relacionados. Além disso, a diminuição tardia do nível de grelina no plasma é proporcional à quantidade de calorias ingeridas, ou seja, a carga calórica de cada refeição, tem papel fundamental na diminuição dos níveis de grelina circulantes.

 

O nível glicêmico é um fator preponderante para controle de níveis de grelina, quando a glicose é administrada oral ou intravenosamente a concentração de grelina no plasma diminui, o que mostra uma resposta imediata da grelina em níveis glicêmicos.

 

Tem sido mostrado que uma refeição rica em proteínas pode baixar o nível de grelina, sendo esse efeito menos potente que a glicose, porém mais prolongado.

 

lep gre 1

EQUILIBRIO

 

O ritmo e o sincronismo dos níveis de leptina e grelina são essenciais para um padrão diário de refeições, e qualquer alteração pode levar a um desajuste nutricional e, consequentemente, a mudanças na composição corporal.

 

Estudos envolvendo aspectos estimuladores e inibidores do apetite ainda são bastante recentes, demandando mais pesquisas para uma melhor compreensão das atividades desses hormônios nos tecidos em geral.

 

Levando em consideração que a grelina é o sinal maior do estimulo de apetite, gerando ingestão de alimentos, é consequentemente, um balanço energético positivo junto ao ganho de massa, é razoável esperar que possíveis antagonistas bloqueiem sinais do hormônio ou, talvez, mecanismos de inibição de receptores da grelina.

 

Outra possibilidade é que se encontrem meios de se evitar a hiperleptinemia (resistência a leptina), permitindo assim a administração da leptina para combate a obesidade.

 

 

 

 

Referências bibliográficas:
  1. Simon &Delbarrio, 2002;
  2. Pissabarro et al., 1999;
  3. Suyeon e Moustadid-Moussa, 2000;
  4. www.UFTM.br;
  5. Jornal de Pediatria – Um quebra cabeça chamado Obesidade – Antônio A. Barros Filho;
  6. Associação Brasileira para Estudo de Obesidade;
  7. Obesidade e papel da leptina e Grelina na sua patogênese – Ana Carolina M. Ferreira -2002;
  8. Determinantes Fisiológicos do Controle do Peso e Apetite. Halpern, Z.S.C;
  9. Rodrigues, M.D.B; da Costa, R.F. – 2004;Grelina, Alimentação e Exercício Físico: Os Efeitos sobre o controle do apetite.

 

 

 

 

 

Carolina Goncalves

Sobre Carolina Goncalves

Fisioterapeuta formada pela UNIPLAC em 2005. Pós graduada em Fisioterapia Traumato-ortopédica pela Gama Filho em 2006. Curso de Capacitação Intensiva em fisioterapia dermato funcional com Dr. Ludmila Bonelli em 2003. Concluindo pós graduação em Fisioterapia Dermato Funcional em outubro de 2015 pela AVM. Proprietária da Clínica Carolina Gonçalves.