O Retrato da Obesidade no Brasil e o Papel do Profissional de Estética

 

 

 

A obesidade é uma doença que se caracteriza pelo acúmulo de tecido adiposo no indivíduo, porém nós adultos não sintetizamos tecido adiposo, logo, em adultos, essa obesidade se caracteriza pelo acúmulo de AGS (ácidos graxos) sob forma de triglicerídeos nos tecidos adiposos.

 

Para entender, subestima-se que em 2025 haverá cerca de 2,3 bilhões de adultos com sobrepeso e cerca de 700 milhões obesos (Incluindo as crianças).

 

O número de cirurgias bariátricas aumentou, chegando a 10% de aumento em 2014 se comparada a 2013.

 

Existem 700 milhões de pessoas na lista de espera para a cirurgia bariátrica.

 

Aqui no Brasil as estatísticas não são nada boas, cerca de 50,8% da população está com sobrepeso e cerca de 17,5% são obesos mórbidos.

 

Com relação as mortes, em 2001 eram 808 mortes relacionadas a obesidade, em 2011 passou para 2.390, um aumento de 196%.

 

Agora pergunto, o que nós profissionais de estética, que lidamos diretamente com a saúde da população temos haver com isso?

 

Resposta: TUDO!

 

A obesidade é uma doença que rouba os sonhos, a alma e a capacidade de viver dos pacientes, lhes privando de terem uma qualidade de vida.

 

Nós que fazemos parte de uma equipe multidisciplinar, temos a obrigação e o dever de intervir também, uma vez que a obesidade é uma doença que não acomete somente o sistema metabólico do individuo, mas seu psicológico, seus hábitos diários e sua qualidade de vida.

 

O profissional de estética é indispensável nesse aspectos, pois nosso trabalho tem como objetivos:

 

  • Melhorar a qualidade de vida do paciente;
  • Auxiliar nos processos metabólicos com técnicas especificas que aceleram o metabolismo;
  • Análise de massa magra e gorda (isso também é papel nosso);
  • Acompanhar esse paciente desde o início dos primeiros passos com a nutricionista até os tratamentos em cabine;
  • Desenvolver um trabalho conjunto com a nutricionista com protocolo voltado especificamente ao caso dele;
  • Somos responsáveis pela evolução desse paciente.

 

Talvez esse último tópico seja o mais difícil, pois acompanhar um paciente é também fazer parte do histórico dele de evolução, e para isso é necessário ter o compromisso e o emponderamento da profissional como peça indispensável a saúde.

 

Muitos profissionais desistem de atuar na obesidade devido não se comprometerem consigo mesmos e com a profissão.

 

Um paciente acompanhado, bem assistido, não precisa fazer bariátrica.

 

Quando falo bem assistido é bem assessorado, bem recebido e bem avaliado por bons profissionais, seja Fisioterapeuta, Biomédico, Enfermeiros, Endocrinologistas, Psicólogos etc.

 

A equipe toda tem que estar alinhada.

 

Os riscos de uma bariátrica são bem maiores do que uma reeducação alimentar e mudança de hábitos, que muitas vezes deve começar por nós que estamos a frente do paciente e somos a face da verdade.

 

O momento é esse!

 

Temos que abraçar essa causa de qualidade de vida como minha, sua e nossa.

 

A estética já saiu do patamar de beleza e cuidados pessoais, somos protagonistas da promoção a saúde, e como tal, devemos estar aptos(as) a atuar de forma conjunta com os demais profissionais, mantendo-nos sempre atualizados(as) em constantes congressos e cursos que nos habilite a agir diferente.

 

Só quem entende como o corpo funciona por dentro poderá atuar brilhantemente por fora e assim se destacar.

 

Se você está lendo este artigo e ainda tem dúvidas sobre sua atuação, sinto dizer: VOCÊ É A PEÇA PRINCIPAL DO TRATAMENTO.

 

É o elo entre o paciente e os outros profissionais, é o(a) que orienta, acompanha e discerne o que deve ou não prejudicar seu tratamento.

 

Para citar alguns exemplos, vamos a prática:

 

O que um profissional de estética pode fazer pelo paciente obeso?

 

Quais as formas de atuação?

 

  • DETOX: A boa e velha manjada detox, essa mesma detox que combate os radicais livres e acelera o metabolismo celular, principalmente o DNA mitocondrial, nossa principal organela onde é realizada a B oxidação;
  • Correntes: Utilizadas para fortalecimento muscular, analgesia e até pós operatório;
  • Cinesioterapia: Conjunto de tratamentos que visa curar usando todas as técnicas de movimento;
  • Lipólise: Tratamentos que tem como objetivo acelerar a lipólise do tecido subcutâneo, até porque, a perca de gordura não é igual a todo o corpo, primeiro queimamos as reservas superficiais para depois ir as mais profundas;
  • Terapias manuais: Terapias que atuam sob os sistemas fisiológicos, como a DNL que atua sob o sistema linfático;
  • Yogamassage: Atua sob o relaxamento muscular, meditação, respiração, arritmia etc. No geral, de forma adequada ao paciente, ela é extremamente benéfica;
  • Holísticas: Tratamentos que atuam no controle da ansiedade, depressão, insônia, tudo que contribui para a desarmonia da homeostase do organismo.

 

Como podemos ver, temos uma infinidade de atuações frente a obesidade.

 

A questão é, será que você sabe avaliar?

 

Em minha experiência, quando avalio meus pacientes, muitos se queixam que outros profissionais deixam a desejar, não explicam os processos metabólicos, não informam o que deve ou não prejudicar o tratamento.

 

Como a gordura é mobilizada, em 100% dos casos eles vem com essa dúvida se sai na urina ou fezes etc.

 

É necessário no momento da avaliação que toda a fisiopatologia da doença seja explicada, como também, caso o paciente tenha exames, é necessário avaliar e registrar na ficha de avaliação todos os dados, se você não sabe avaliar um hemograma, T3, T4, ALT etc, indico fazerem um curso para análises de exames clínicos, pois também é nossa função.

 

Não deve apenas se atentar ao que o paciente fala, é necessário buscar as informações e definir nossa opinião e conduta.

 

A obesidade em si é a simples relação entre gasto calórico x calorias consumidas.

 

O problema desses pacientes, é que no geral, a grande maioria desenvolve síndromes metabólicas que nos impede de atuar com plenitude, conforme alguns tratamentos citados acima, por esse motivo, temos que estar bem certos do prognóstico dele.

 

Há também estatísticas que mostram que apenas 5% dos obesos são decorrentes de síndromes metabólicas já existentes.

 

Não existe outra forma de perder gordura: tem que suar mesmo!

 

Transformar o tecido adiposo em ATP, isso tem que estar claro desde o momento que o paciente assina a ficha cadastral liberando o tratamento.

 

Compreender um todo é necessário para que possamos ter autonomia na prescrição de protocolos.

 

É indispensável a análise dos exames, nunca trate um obeso sem saber a causa e como anda as taxas bioquímicas dele.

 

A estética hoje conseguiu avançar muito, portanto, se você como profissional ainda pensa em atuar com obesidade eu digo a você: se jogue.

 

Procure se aperfeiçoar, faça uma pós em obesidade e emagrecimento, procure uma nutricionista pois esta é indispensável na nossa atuação, sem elas não existe nutri estética.

 

Vamos nos apoderar na atuação, na profissão e no ser, mostrando que a obesidade tem cura e que nosso papel perante a sociedade é indispensável.

 

 

 

 

 

Jeovania

Sobre Jeovania Amorim

Fisioterapeuta Dermato Funcional (Universidade Estadual de Ciências da Saúde de Alagoas), Esteticista e Terapeuta Holística (Humaniversidade), Especialista em Estética e Cosmética (Gama Filho-PE) atualmente acadêmica de Enfermagem (Universidade Federal de Alagoas). Apaixonada pela ciências da saúde, amo cuidar do ser humano como um todo, trato a estética com devoção, terapeuta holística por vocação.