O Que É Fibrose? Por Que Tratar? Quais Recursos Mais Utilizados?

 

 

A formação da fibrose está relacionada a um processo cicatricial que ocorre a partir de um evento cirúrgico, como por exemplo, uma lipoaspiração que se inicia através de um complexo de respostas defensivas que existem para manter a homeostasia (equilíbrio) do organismo.

 

Macedo (2011) descreve a fibrose como ondulações que aparecem na região lesionada, podendo ocorrer em maior ou menor grau. Elas são “normais” durante o período de reparo, fazem parte da cicatrização, porém, não devem ser consideradas parte do resultado final da cirurgia.

 

A Fibrose é uma das maiores complicações causada após uma Cirurgia Plástica (especificamente após a Lipoaspiração), pois compromete o resultado estético da cirurgia, restringi a mobilidade (movimentos) do paciente, causa dor, leva a perda da função, prejudica o metabolismo, levando ao acúmulo de toxinas e restos metabólitos, além de dificultar a reabsorção do edema (inchaço pós cirúrgico) que pode ficar retido pela falta de mobilidade dos tecidos.

 

Para se conseguir prevenção da formação de fibroses, deve-se atuar terapeuticamente no início da síntese de colágeno. Ou seja, no período de pós-operatório imediato. Para se ter ideia, essa síntese de colágeno do tecido cicatricial eleva-se rapidamente entre o 6° e o 17° dia de pós operatório, e não ocorre mais após o 42° dia. O importante para o bom restabelecimento é tratar precocemente e para isso temos inúmeras técnicas que facilitam esse trabalho e regularizam o relevo da pele o mais rápido e saudável possível.

 

Liberação Tecidual Funcional

 

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A aplicação da liberação tecidual funcional (LTF) nos tecidos em cicatrização é utilizada como forma de prevenção e controle da formação de fibroses, a técnica consiste em aplicar-se uma tensão necessária para que o tecido sofra um rearranjo estrutural. (ALTOMARE E MACHADO, 2006). O objetivo é modificar a estrutura do colágeno cicatricial, afetando diretamente a orientação e o metabolismo da matriz extracelular. As fibras colágenas se tornam orientadas rapidamente após aplicação da tensão mecânica.

 

Ultrassom

 

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O ultrassom promove a reorientação das fibras, levando a uma maior elasticidade sem perda da força através de seu efeito tixotrópico (eleva a temperatura dos tecidos por movimentação das moléculas e ação vibracional) onde ele induz ao “amolecimento” e a fluidez da fibrose.

 

Radiofrequência

 

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A radiofrequência é uma opção para a diminuição da fibrose, podendo em distintas dosagens diminuir ou aumentar a densidade de colágeno. Sendo assim, a radiofrequência tem por objetivo, “amolecer” o tecido de colágeno e absorver o tecido fibroso por sua ação fibrinolítica. Isso acontece, pois durante aquecimento da radiofrequência, o formato de trícipe hélice do colágeno é destruído, uma vez que suas ligações intermoleculares são sensíveis à baixa temperatura, ocorrendo à separação de suas pontes de hidrogênio e surgindo um aspecto de colágeno mais flexível e fácil de ser reabsorvido por fagocitose.

 

Kinesio Taping

 

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A Bandagem Elástica é uma técnica que consiste em “tapes”, adesivos que são peculiares por não limitar os movimentos. O objetivo é reduzir ou reverter esse processo, de modo que o Kinesio Taping é recomendado com altas tensões (50 a 75%), aplicado de forma sinuosa, gerando vetores de força que servirão para mobilizar a cicatriz constantemente em diferentes direções, mimetizando os efeitos das terapias manuais e modificando a estrutura do colágeno cicatricial.

 

Cinesiologia

 

cinesiologia

 

A cinesiologia trabalha organizando a deposição de colágeno, tornando o tecido mais elástico e sem retrações, prevenindo e tratando a fibrose. Manobras liberam o tecido e provocam um tensionamento contínuo e prolongado, “organizando” a deposição do colágeno, além de tornar o tecido mais elástico e sem retrações, o que previne e trata as fibroses e aderências. A maior parte das contraturas resultantes de adesões de tecidos cicatriciais pode ser evitada ou reduzida com exercício, sendo assim, a utilização consciente da cinesioterapia em pós-cirurgia plástica se faz extremamente útil na prevenção e no tratamento das aderências e fibroses.

 

Endermologia

 

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Essa técnica é outra opção de massagem para o tratamento de fibroses por meio de uma ação mecânica simples no tecido conjuntivo. Deve ser utilizada de maneira suave, sem causar traumas no tecido, e não substitui a massagem manual do tecido conjuntivo, apenas auxilia na melhora da sua maleabilidade (BORGES, 2010). Estimula o nivelamento do relevo cutâneo.

 

Drenagem Linfática

 

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A aplicação da drenagem linfática manual no pós-operatório contribui para uma recuperação mais rápida, alivia a pressão provocada pelo edema, facilita o escoamento da linfa, melhora a cicatrização e reparação tecidual, estimula fibroblastos na mitose das células colágenas e elásticas, aumenta o fluxo sanguíneo, remove os resíduos metabólicos e promove equilíbrio hidrolipídico da pele (LOPES et al., 2006).  Desta maneira, deixa o tecido apto e preparado para melhor solucionar as fibroses.

 

Carboxiterapia

 

carboxiterapia

 

A carboxiterapia atua, sobretudo, na microcirculação vascular do tecido conectivo, promovendo a vasodilatação e o aumento da drenagem venolinfática. Com a vasodilatação, o fluxo de nutrientes e as proteínas necessárias para remodelar os componentes da matriz extracelular (MEC), como as proteínas fibrosas, dentre elas o colágeno, também aumentam o que favorece o tratamento da fibrose.

 

PS: Lembrem-se sempre que os recursos eletroterápicos devem SEMPRE ser acompanhados das técnicas manuais para OBTENÇÃO DOS MELHORES RESULTADOS e mais importante ainda é escolher um profissional extremamente habilitado para cuidar de você nesse período de reabilitação pós-cirúrgica.

 

 

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REFERÊNCIAS

 

ALTOMARE, M.; MACHADO, B. Cirurgia plástica: terapêutica pré e pós. In: BORGES, F. S. Dermatofuncional – Modalidades Terapêuticas nas disfunções estéticas. São Paulo: Phorte, 2006.

 

MACEDO, Ana Carolina Brandt de; OLIVEIRA, Sandra de. The role of physical therapy in pre-and postoperative body plastic surgery: a review of the literature. Curitiba: Cadernos da Escola de Saúde, n.4, vol.1, 2011.

 

 

BORGES, Fábio. Dermato-funcional: Modalidades Terapêuticas nas Disfunções Estéticas. São Paulo: Porte; 2010.

 

LOPES, Daniella; SANTOS, Micheline; CARVALHO, Raquel; BORGES, Fábio; OLIVEIRA, José. Levantamento da eficácia dos protocolos fisioterapêuticos utilizados na recuperação estética e funcional no pós-cirúrgico de lipoaspiração. Revista Fisioterapia Ser, Belo Horizonte, vol 1, n° 3, p. 164 –170, setembro 2006.

 

 

 

Olga

Sobre Olga Edielica Saraiva

Fisioterapeuta, especialista em Fisioterapia Dermato Funcional | Docente da pós graduação de Fisioterapia Dermato Funcional - Unichristus/CE | Docente da pós graduação de Fisioterapia Dermato Funcional - FPB/PB | Docente da pós graduação de Fisioterapia Dermato Funcional - CPOS/PA | Ministrante de cursos profissionalizantes na área por todo Brasil | Diretora da empresa Stetic Class | Diplomada pela universidade Finis Terrae/Chile