A importância das terapias antioxidantes por via cutânea

 

 

 

A pele

 

É o nosso maior órgão, formada por diversas estruturas e com diversos tipos celulares, tem como função a proteção dos órgãos internos do ambiente. Justamente por isso, ela está exposta a agentes químicos que por sua vez, acabam induzindo a espécies reativas (ERO E ERN).

 

Essas espécies reativas são conhecidas popularmente como “radicais livres”.

 

Características das espécies reativas, o início de tudo

 

Desde a década de 40, os químicos já pesquisavam moléculas que tinham seu último orbital desemparelhado, eles já suponham que isso poderia existir e acontecer e somente em 1956 que se formulou a primeira relação da espécie reativas x patologias.

 

Ela nada mais é que uma estrutura química neutra ou carregada onde seu último radical possui um elétron desacoplado, tornando a molécula instável, reativa e atingindo várias organelas.

 

Apesar de todas as características ruins atribuídas ao radical livre, é sabido informar que o mesmo é fundamental para processos fisiopatológicos e bioquímicos, incluindo nosso sistema de defesa e imunológico. Ou seja, o primeiro mito cai por terra onde muitos profissionais tentam a todo o custo erradicá-lo, excluir ele dos processos fisiológicos, combatê-lo como se fosse um vírus mortal, o que na verdade não é, portanto a partir de hoje tenha isso em mente: ele é fisiológico, ele vai acontecer sempre, está acontecendo agora e não há motivos para parar, de certo modo ele é saudável e esperado, seu corpo espera que ele aconteça para ativar certos sistemas de defesa.

 

O problema é que existe nesse processo uma linha tênue entre o equilíbrio de sua formação e remoção, seja por fatores endógenos ou exógenos, que alteram esse estado formando assim um estado pró-oxidante, conhecido como estresse oxidativo. Vale salientar que, ao contrário do que se propaga, as espécies reativas têm vários tipos e formação diferenciada, como também formas específicas de reagir com outras biomoléculas.

 

A pele tem seus próprios mecanismos de defesa, seja enzimáticos que permitem uma resposta mais rápida ou antioxidantes, mesmo assim ela não da conta da proporção que ele toma. A mitocôndria é um exemplo disso, seu DNA é logo prejudicado no processo, podendo estar ligado a lipoperoxidação.

 

Segundo Thais Guarantini (USP, 2006, Vol30 pág. 207, química nova) em seu artigo sobre o equilíbrio redox cutâneo, ela destacou os princípios que são formados na pele:

 

– ERO – Radicais hidroxila e superóxido, os radicais peroxila e alcoxila, o oxigênio singlete e os peróxidos de hidrogênio e orgânicos;

 

– ERN – NO e espécies reativas de enxofre, com importância biológica significativa.

 

A importância da mitocôndria

 

Ainda há muito que se descobrir sobre sua origem, estudos apontam que o surgimento do radical livre está ligado ao metabolismo do oxigênio e as reações de oxiredução.

 

É imprescindível estudar a mitocôndria, na CTE (entre os complexos I e III, durante a passagem de elétrons) as moléculas de hidrogênio terão dois destinos: 95% formar ATP e 5% superóxido. Esses 5% são capazes de fazer um estrago danado, elas são os produtos fisiológicos mais tóxicos da respiração celular.

 

Bloqueando essas moléculas

 

Há formas de bloquear fisiologicamente elas, eu escolhi dois tipos para falar, ainda segundo a Thais.

 

A espécie relacionada ao HO é bastante reativa, seus danos estão ligados diretamente ao DNA, causando nele mutações genéticas e indicando assim uma participação na indução ao câncer.

 

A espécie relacionada ao O2 é outra envolvida em processos fisiopatológicos, ela é eletronicamente excitada, fato que favorece a reagir com sulfatos e aminas, ácidos graxos insaturados, DNA e proteínas são seus principais alvos biológicos.

 

O balanço redox e os sistemas antioxidantes da pele

 

O equilíbrio redox é um ponto chave do nosso organismo. É coerente afirmar que existem uma vasta gama de antioxidantes no mercado, mas nossa pele possui seus próprios mecanismos de defesa.

 

Os sistemas antioxidantes assim como na ortomolecular, tem dois tipos: os enzimáticos e antioxidantes. Entre os enzimáticos, destacam-se: SOD (Super Óxido Dismutase), CAT (Catalase) e GPX (Glutationaperoxidase).

 

A SOD contribui para um dos mecanismos antioxidantes mais eficientes, converte o O2- em peróxido de hidrogênio (H2O2). Existem vários tipos de SOD, ela pode se situar no citosol ou em alguma organela e até mesmo extracelular, cujo os sítios ativos podem conter íons de zinco, manganês ou ferro.

 

Já a CAT e GPX são as principais responsáveis pela remoção de H2 O2. Os peroxissomos são organelas importantes no sistema detox celular, por contar justamente com a CAR, onde catalisa a decomposição de H2O2 gerando água.

 

A GPX é indispensável no metabolismo de H2O2 e de outros peróxidos porque catalisa a reação de doação de elétrons, no qual se utiliza glutationa reduzida como reagente redutor, formando glutationa oxidada.

 

Os antioxidantes não enzimáticos segue a mesma linha de raciocínio da ortomolecular, incluindo compostos de baixo peso molecular, podendo se destacar: hormônios (estradiol e estrógeno), o acidolipoico, etc.

 

Uma ajuda sempre é boa!

 

Se algo pode fazer bem, tem o poder de potencializar algum composto endógeno, então, por que não usá-lo?

 

Agora podemos falar das substâncias utilizadas na estética, que atualmente é vasto. Devido à quantidade de cosméticos que se dizem “antioxidantes”, recorremos a eles sempre que podemos. Segundo as fontes disponíveis, a aplicação dessas substâncias e ingestão de compostos, auxiliam na proteção cutânea contra o estresse oxidativo. Elas tem como objetivo aumentar direta ou indiretamente os níveis endógenos dos antioxidantes.

 

Tanto a tópica como a oral se mostraram eficazes na reposição de moléculas endógenas, a exemplo da famosa VIT C e E, os carotenóides e substâncias fenólicas que podem ser obtidos através da dieta. O alfa tocoferol tem a habilidade de estabilizar as bicamadas lipídicas, na epiderme é um dos mais importantes inibidores de lipoperoxidação.

 

A camelliasimensis é rica em catequinas, inibe a lipoperoxidação e danos causados ao DNA pela espécie reativa ERO, a inibição da imumossupressão e da inflamação cutânea induzida pela radiação UV.

 

A ginkgobiloba apresenta propriedades anti-inflamatórias, imunomodulatórias e antioxidantes. Recentemente ela se mostrou eficaz ao vitiligo em ingestões maiores de 40mg, além de repigmentar áreas afetadas.

 

Outros ativos largamente usados na cosmética em sua aplicação clínica são bem eficazes:

 

-Licopeno;

-Argila da Amazônia;

-Arnica;

-Óleo de coco;

-Lama negra;

-Aminoácidos, etc.

 

Produto é oxidativo ou antioxidante?

 

Não é correto afirmar que produto x ou y é oxidante ou antioxidante, é antiético fazê-lo sem ter as bases bem fundamentadas em experimentos específicos, feitos em laboratório que são capazes de detectar sua eficácia. Entre a dúvida, o melhor é permanecer em silêncio e dentro de si mesmo tirar suas conclusões, exatamente por isso, entra uma parte do trecho do artigo da Thais que achei muito interessante, ilustrando como esses testes são feitos.

 

Existem alguns métodos de avaliação, dentre eles:

 

– Os estudos podem ser in vivo (humanos e animais) ou in vitro.

 

– As técnicas utilizadas podem ser invasivas ou não invasivas, as não invasivas são normalmente associadas a analise das consequências do desequilíbrio redox. Podemos citar como exemplo as características elásticas da pele, alterações na derme, perda de água transepidérmica, conteúdo aquoso do extrato córneo, mudanças de ph e na coloração da pele e fluxo sanguíneo. Para mensurar todas essas propriedades da pele, utiliza-se bioengenharia que constitui a uma técnica eficiente para verificação de modificações cutâneas frente ao uso de antioxidantes e reverter o estresse oxidativo.

 

– Os invasivos ou com tecidos humanos obtidos a partir de biopsia, são voltados à compreensão do fenômeno e utilizam técnicas e equipamentos mais sofisticados como: cromatografia líquida ou gasosa acoplada à espectrometria de massa, de quimioluminescência, geração de imagem por espectroscopia de ressonância spin eletrônica, ou por espectrometria de massa com ionização por MALDI.

 

Concluo aqui mais um artigo na intensão de ajudá-los a escolher bons cosméticos e buscar sempre bases confiáveis de onde vem à informação.

 

Não seja mais um utilizando métodos sem fundamentos ou banalizando uma área especifica por falta de informação.

 

Não se mede espécies reativas ou “radicais livres” pelo olhômetro, achismo, cara ou peso, é preciso fazer análise detalhada das enzimas, antioxidantes endógenos, aprender a ler um rótulo cosmético e sua formulação, o que não o proíbe de fazer a sua técnica, mas que isso sirva para aprimorar sua abordagem sobre o tema: detox, que vai muito além dos sucos, chás, dietas e tratamentos estéticos.

 

 

 

Jeovania

Sobre Jeovania Amorim

Fisioterapeuta Dermato Funcional (Universidade Estadual de Ciências da Saúde de Alagoas), Esteticista e Terapeuta Holística (Humaniversidade), Especialista em Estética e Cosmética (Gama Filho-PE) atualmente acadêmica de Enfermagem (Universidade Federal de Alagoas). Apaixonada pela ciências da saúde, amo cuidar do ser humano como um todo, trato a estética com devoção, terapeuta holística por vocação.