Hiperplasia adiposa paradoxal: uma complicação possível após Criolipólise

 

 

A procura por tratamentos estéticos têm crescido consideravelmente nos últimos anos, e sem dúvida os procedimentos não-invasivos têm se destacado nesse setor. Em 2012 mais de 10 milhões de tratamentos estéticos foram realizados nos Estados Unidos, e os procedimentos cirúrgicos diminuíram em 16% desde 2000, enquanto que o número de procedimentos não-invasivos aumentou significativamente.

 

Entre as disfunções estéticas, a gordura localizada é uma das maiores queixas nos consultórios. Por isso, a busca por tratamentos inovadores que ofereçam o mínimo de riscos ou complicações é constante entre os profissionais que trabalham nessa área.

 

Um dos tratamentos não-invasivos mais difundidos e com melhores resultados na atualidade para gordura localizada é a criolipólise. Ela consiste na destruição das células de gordura através do congelamento ou resfriamento, uma vez que os adipócitos são bastante sensíveis ao frio.

 

Para a realização da técnica é utilizada uma manopla específica que realiza uma prega cutânea, a qual fica localizada entre duas placas de resfriamento. O tratamento dura em torno de uma hora em cada região, e as temperaturas comumente utilizadas variam entre -5 e -10 graus Celsius.

 

A cristalização dos adipócitos induz a uma resposta inflamatória local que  resultará na sua eliminação pelo organismo de forma natural, sem aumento nas taxas de colesterol no sangue. A redução de gordura subcutânea local varia entre 20 e 25%, no período de 3 a 6 meses após a realização do procedimento.

 

Apesar do conhecimento do  mecanismo de ação e dos excelentes resultados da técnica, são ainda desconhecidas algumas possíveis complicações resultantes da sua aplicação.

 

Entre essas complicações a literatura cita a hiperplasia adiposa paradoxal, uma disfunção rara, onde há aumento no volume de tecido adiposo na região onde foi aplicada a criolipólise, ao invés da sua redução. Isso pode ocorrer no período de 3 a 6 meses após a realização do tratamento, exatamente o intervalo de tempo onde seriam observados os seus resultados.

 

A incidência dessa complicação  é de 0,0051% a 1% a cada 20.000 pacientes.Em um dos artigos analisados foi relatada a incidência, na prática dos pesquisadores, de 0,47% a 2% entre 422 atendimentos de criolipólise realizados.

 

Do ponto de vista histopatológico, o tecido subcutâneo mostra aumento no número de células adiposas e fibroses, mas não se conhecem seus mecanismos de ação, bem como não há evidências de resolução espontânea.

 hiperplasia

Uma vez que tal complicação é bem rara e pouco relatada na literatura, a maioria dos profissionais desconhecem sua existência. Portanto, mais estudos são necessários para investigar os mecanismos de ação envolvidos, sua patogênese e a conduta terapêutica mais adequada.

 

 

 

REFERÊNCIAS

* SM Singh, ER Geddes, PM Friedman. Paradoxal adipose hiperplasia secondary to cryolipolysis: An undereported entity? Lasers Surg Med 2015 Jun 19.

* HR Jalian, MM Avram, … RR Anderson. Paradoxical adipose hiperplasia after cryolipolysis. JAMA Dermatol 2014; 150(3):317-9.

* J Mendes, MRP Bender, F Lacerda. A técnica da criolipólise : achados científicos e pressupostos teóricos. Disponível em: www.siaibib01.univali.br

 

 

 

Elizete

Sobre Eliziete Abreu

Graduação em Fisioterapia pela Universidade Estadual do Piauí ( UESPI) | Especialização em Fisioterapia Aplicada á Traumatologia e Ortopedia pela Faculdade Integral Diferencial (facid) | Especialização em Fisoterapia Dermato – Funcional pelo Centro de Ensino Unificado de Teresina (CEUT) | Fisioterapeuta Efetiva do Hospital Regional de Campo Maior | Sócia do Mais Magra Espaço de Estética | Crefito 109346-F