Fibrose na cirurgia plástica?

 

 

 

Sim, é muito possível de ocorrer!

 

A sociedade de cirurgia plástica relata o frequente aumento no número de procedimentos cirúrgicos no mundo e no Brasil.

 

Esse aumento provoca também o aumento do receio do aparecimento das complicações, principalmente, as locais, que são as mais temidas pela equipe de saúde e por pacientes, entre elas, a fibrose.

 

Esta intercorrência pode acontecer, embora totalmente indesejada, como parte do processo de regeneração cicatricial do tecido lesionado pelo ato cirúrgico, principalmente nas cirurgias de lipoaspiração.

 

Em recentes estudos é possível constatar que a fibrose pode se dar por diversos motivos, entre os quais o próprio paciente, devido a uma interação anormal entre a proliferação de substâncias formadas e o sistema de defesa.

 

Além disso, pode-se fazer menção à formação de radicais livres que ocorre devido ao processo de cicatrização ao uso de agentes anestésicos, que também são grandes formadores de radicais livres ao tempo prolongado do ato cirúrgico e um tempo prolongado do edema local.

 

Esses fatores podem contribuir para um processo anormal na formação de tecido conjuntivo, o qual tem em sua constituição elastina e colágeno e esse desenvolvimento anormal gera lesões endurecidas e nodulares.

 

No processo cicatricial, diversos eventos podem ser observados. No entanto, do 3° ao 15° dia ocorre o período de inflamação, que promove entre outros, o aparecimento de fibroblastos que dão origem ao colágeno.

 

Próximo ao 12° dia de pós operatório, ocorre a proliferação do colágeno que, quando ocorre de forma desorganizada e sob os estímulos citados anteriormente, provoca o aparecimento de áreas endurecidas, normalmente em placas que podem estar isoladas ou mesmo, em condições mais danosas, por toda a região lesionada, gerando um incômodo álgico e, principalmente, estético.

 

O principal tratamento para a fibrose é a prevenção, o que pode se dar da forma de acompanhamento nutricional pré operatório, em que serão repostos compostos antioxidantes e da melhora da circulação sanguínea e o acompanhamento fisioterapêutico, baseado na Drenagem Linfática Manual (DLM).

 

Está técnica quando utilizada previamente à cirurgia, proporciona melhora da oxigenação tecidual e melhora das trocas sanguíneas nos tecidos.

 

Já no seu uso no pós operatório, o ideal é o início precoce, que possibilita a melhora da oxigenação tecidual e acionamento de vasos linfáticos o que contribuirá para a retirada do líquido intersticial, rico em substâncias danosas ao tecido e capazes de formar a fibrose.

 

Além disso, as manobras de DLM são realizadas por meio de trações e compressões, estímulos determinantes para proporcionar o alinhamento de colágeno e possibilitar um adequado tecido cicatricial.

 

Se o paciente ou cliente não realizou a DLM preventiva e o aparecimento da fibrose foi inevitável, há que se trabalhar para evitar os efeitos inestéticos provocados por esta intercorrência.

 

O acompanhamento nutricional também pode ser de grande importância nessa fase, mas sem dúvida, o tratamento nessa fase vai se dar principalmente pela Drenagem Linfática Manual.

 

Além disso, as trações manuais e empregos de tensão, também manuais, serão fundamentais para tratar as fibroses.

 

No entanto, em fibroses mais antigas, por vezes, torna-se necessário o emprego de equipamentos que auxiliarão no tratamento.

 

A escolha do equipamento depende de uma avaliação que poderá identificar com maior precisão qual o melhor a ser utilizado.

 

Quanto mais cedo for iniciado o tratamento, melhores as chances de se conseguir resultados satisfatórios e estéticos, conseguindo assim, a satisfação do paciente ou cliente com o procedimento cirúrgico realizado.

 

 

 

 

 

Ines Cristina

Sobre Ines Cristina

Fisioterapeuta. Formação básica e avançada em Drenagem Linfática Manual nos métodos Leduc pela Escola de Bruxelas e Vodder pela Escola Francesa Virgínea Cool. Autora de capítulos do livro Modalidades terapêuticas em Dermato Funcional.