Estrias após implante mamário: incidência e fatores de risco para o surgimento

 

 

Apesar de ser considerada uma “complicação” pouco frequente entre as mulheres que submetem a colocação de próteses mamárias, as estrias causam bastante desconforto e insatisfação com o aspecto das mamas. Muitas vezes já escutei em minhas consultas o arrependimento por ter colocado a prótese devido ao aparecimento das estrias.

 

Para falar sobre esse assunto, analisei um estudo brasileiro sobre a incidência e fatores associados ao surgimento de estrias após a colocação do silicone.

 

O objetivo do estudo foi investigar a ocorrência de estrias em mulheres submetidas a aumento mamário e relacionar aos aspectos idade, volume do implante mamário, histórico anterior de estrias, histórico de gravidez e amamentações, Índice de Massa Corpórea (IMC), mudanças no peso durante o pós-operatório, fumo e uso de anticoncepcionais.

 

538 mulheres submetidas à colocação de próteses de silicone abaixo da glândula mamária (subglandular) foram acompanhadas após 2 anos da cirurgia. Neste estudo a incidência global de aparecimento de estrias foi 7,06% (considero baixa).

 

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Este estudo aponta que os fatores associados a uma maior flacidez da pele (idade maior que 30 anos, gestação e amamentação prévias, além de IMC aumentado) parecem contribuir para uma maior adaptação da pele a distensão causada pela prótese funcionando como uma prevenção ao aparecimento de estrias. Por outro lado fatores que interferem na elasticidade da pele como o tabagismo, idade menor que 30 anos e a distensão rápida causada por próteses acima de 300 ml favoreceram o seu desenvolvimento.

 

Atualmente existem diversos tratamentos disponíveis para o tratamento das estrias vermelhas e brancas, entre eles destacam-se a carboxiterapia, laser de CO2 fracionado, microagulhamento, uso de ácidos e cremes tópicos entre outros, todos possuem como objetivo traumatizar a pele estriada culminando na regeneração do tecido comprometido e melhora do aspecto estético. Estes diferem no mecanismo de ação (trauma mecânico ou químico) e a profundidade de ação na epiderme (mais superficial) ou epiderme e derme.

 

Não há consenso ou padrão ouro estabelecido para o tratamento de estrias, o que se observa na prática é que cada paciente apresenta respostas distintas aos diferentes tratamentos utilizados, sendo indispensável à avaliação e o acompanhamento individualizado.

 

 

 

Referência:

Valente DS, Zanella RK, Doncatto LF, Padoin AV (2014) Incidence and Risk Factors of StriaeDistensae Following Breast Augmentation Surgery: A Cohort Study.PLoS ONE 9(5): e97493. doi:10.1371/journal.pone.0097493

 

 

Rhayssa

Sobre Rhayssa Rhaquel

Mestre em Fisioterapia pela UFRN. Especialização em Fisioterapia Dermatofuncional pela Estácio-RJ. Professora convidada em programas de Pós-graduação em Fisioterapia Dermatofuncional. Professora integrante da Liga de Estudos em Fisioterapia Dermatofuncional - LEFIDEF