ARTRITE REUMATÓIDE E CRIOLIPÓLISE

 

 

 

A criolipólise é, sem dúvida, um dos melhores tratamentos não-invasivos disponíveis atualmente para redução da gordura localizada.

 

Pesquisas apontam que é possível reduzir, com apenas 1 sessão, entre 20 e 25% da camada de gordura na área onde a criolipólise foi aplicada, e essa redução ocorre num intervalo entre 3 a 4 meses após a intervenção.

 

O tratamento realiza um resfriamento localizado do tecido adiposo subcutâneo, com temperaturas em torno de -5 a -15 graus Celsius, causando uma paniculite na região e provocando a morte das células adiposas por apoptose.

 

Apesar dos excelentes resultados com esse tratamento, há algumas contra-indicações importantes que devem ser bem esclarecidas no momento da avaliação dos pacientes.

 

Uma delas trata-se da crioglobulinemia, que não é propriamente uma doença, mas uma característica comum entre os pacientes acometidos por algumas patologias como a artrite reumatóide e o lúpus, por exemplo.

 

Crioglobulinas são imunoglobulinas presentes na circulação sanguínea, produzidas pelos monócitos da medula óssea decorrentes de uma reação auto-imune ou sem uma imunopatologia estabelecida.

 

Artrite_Reumatoide

 

Quando submetidas a baixas temperaturas , as crioglobulinas precipitam, constituindo um fenômeno denominado crioglobulinemia, que pode ser reversível com aquecimento.

 

Esse precipitado de crioglobulinas, sob ação do frio, deposita-se nas margens dos pequenos vasos da membrana sinovial, no caso da artrite reumatóide, por exemplo.

 

Sua reação com o fator reumatóide positivo acentua o quadro inflamatório, pela destruição da membrana sinovial e pela vasodilatação promovida pelos mediadores liberados, aumentando assim, o potencial destrutivo e deformante da artrite reumatóide.

 

A principal característica cutânea da crioglobulinemia é a púrpura, e geralmente está localizada nas extremidades inferiores.

 

Essas lesões podem ocorrer espontaneamente ou serem provocadas pela exposição ao frio e/ou a longos períodos em pé ou sentado.

 

Deve-se salientar que a crioglobulinemia induzida pelo frio tem maior probabilidade de ocorrer nos portadores de artrite reumatóide com fator reumatóide positivo e presença de crioglobulinas.

 

Nos portadores de artrite reumatóide com fator reumatóide negativo e ausência de crioglobulinas o risco seria mínimo.

 

Existem, inclusive, alguns métodos bem importantes de pesquisa do fator reumatóide, tais como a Prova do Látex e do Waaler Rose. A Prova do Látex é positiva em 80% dos pacientes com artrite reumatóide, e a de Waaler Rose está presente em 60%.

 

Bem, como cerca de 70 a 80% dos portadores de artrite reumatoide são fatores reumatóides positivos e isso aumenta a probabilidade de produzirem crioglobulinas, é de se concluir que a criolipólise, até por medida de precaução também, deve ser abolida como opção de tratamento à esses pacientes de uma forma geral, uma vez que nem todos chegam aos nossos consultórios com provas esclarecedoras da presença ou não de fator reumatóide e de crioglobulinas.

 

Considera-se, portanto, um risco grande a aplicação de tal modalidade de tratamento à esses pacientes, e mais uma vez fica claro que uma avaliação criteriosa é certamente peça fundamental e de que tratamento estético é também tratamento de saúde.

 

 

 

 

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS:
* Borges, FS; Scorza,FA. Fundamentos de criolipólise. Fisioterapia Ser,vol.9-n°4.2014. Disponível em:www.proffabioborges.com.br/wp-content/uploads/2015/02/Criolipolise-FisioSer-36-2014.pdf
* Silveira, DWS; Boery,EN; Boery, RNS. Reflexões acerca da crioterapia na fase aguda da artrite reumatóide e suas correlações com a crioglobulinemia. Rev.Saúde.Com. 2006; 2(2):153-160. Disponível em: www.uesb.br/revista/RSC/v2/v2n2a7.pdf
* BOLETIM DA SOCIEDADE DE REUMATOLOGIA DO RIO DE JANEIRO. Crioglobulinemia e Criofibrinogenemia. Disponível em:www.reumatorj.com.br/boletim/boletim10.htm

 

 

 

 

Elizete

Sobre Eliziete Abreu

Graduação em Fisioterapia pela Universidade Estadual do Piauí ( UESPI) | Especialização em Fisioterapia Aplicada á Traumatologia e Ortopedia pela Faculdade Integral Diferencial (facid) | Especialização em Fisoterapia Dermato – Funcional pelo Centro de Ensino Unificado de Teresina (CEUT) | Fisioterapeuta Efetiva do Hospital Regional de Campo Maior | Sócia do Mais Magra Espaço de Estética | Crefito 109346-F